sexta-feira, 30 de março de 2012

SEM FRONTEIRAS: NOVO DOCUMENTÁRIO SOBRE EXPULSOS DO MADEIRA - DESBARRANCADOS


No dia 28 de Março de 2012 o DOC de denúncia sobre os derrespeitos dos direitos humanos causadas no processo de construção das hidrelétricas no Rio Madeira foi apresentado em primeira mão na oficina Em Busca de uma História Oral Pública promovda pelo NEHO/USP e dia 29 no I Congresso Pan - Amazônico e VII Encontro Região Norte de História do Tempo Presente e Oralidades na Amazônia - Bélem do Pará UPA. Aqui em São Paulo para apresentar o DOC Desbarrancados estavam Márcia, Ariana, Joeser e Vanessa e em Belém estavam Cristine e Iremar os quais apresentaram o DOC no contexto dos debates de uma mesa de discussão no encontro Pan da região Norte além de estarem representando nosso grupo de oralistas engajados na luta junto as comunidades do Madeira na coordenação do GT: História Oral Como Espaço de Vivência  de Tradições de Identidade e Territorialidades.
Os Desbarrancados é o resultado de uma atuação política junto a comunidades afetadas pelas Hidrelétricas de Santo Antônio Energia e Jiral, as filmagens foram feitas em diferentes tempos e espaços no decorrer dos trabalhos de campo que agregaram duas ações a de assessoria politica as comunidades e ao projeto de História Oral. A falta de equipamentos e de técnicas específicas para a filmagem não comprometeu a transmissão da mensagem de denúncia feita pelos próprios afetados, que tiveram suas narrativas colocadas em diálo apresentaas por um narrador. Nesse sentido, o narrador não é alguém que narra um acontecimento, mas alguém que narra uma experiência da qual compartilha. O trabalho de edição seguiu essa proposta e o tornou possível. Sobre o Projeto de História Oral ainda estamos em fase de trabalhos das narrativas no intuito de apresentarmos uma coletânea de narrativas que possam servir também com denúncias e possibilitar o registro dos espaços de memória, podendo assim, servir como questionamento ao governo sobre o desrespeito dos direitos humanos e a destruição de patrimônios culturais.

SEM FRONTEIRAS: NOVO DOCUMENTÁRIO SOBRE EXPULSOS DO MADEIRA - DESBARRANCADOS

domingo, 11 de março de 2012

Escolhas sim... Porém, caras!!!



 No meio do ano de 2011 passei no doutorado de História Social na USP. Essa foi uma escolha dentre outras que poderia fazer. Embora eu tenha feito uma grande jornada para chegar até ela. Quando decidi fazer a seleção não a tomei como a única e mais importante coisa da minha vida. Encarei apenas como uma tentativa que se desse certo bem, se não desse bem também. Isso estava bem resolvido na minha cabeça, talvez por esse motivo, eu tenha passado, pois em outra temporada na USP de 2005 a 2006 larguei tudo para trás e com a cara e a coragem priorizei passar no mestrado em História Social na USP, eu quis tanto e exigi tanto de mim que não consegui. Após esses dois anos de idas e voltas e tentativas resolvi voltar para casa e me preparar perto das pessoas que eu amo. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Fiquei um ano em casa, estudando, cuidando da minha avó, dos meus filhos e do meu amor e recebendo o amor deles que me fez muito bem. No ano de 2007 minha avó faleceu, e ainda bem que escolhi viver muitos momentos com ela, de abril de 2006 a agosto de 2007.


Em 2008 ao invés de voltar para USP resolvi ir em busca de um tempo perdido, quis conhecer melhor o mundo do qual minha avó fez parte o que coincidiu com a correspondência que encontrei entre meu projeto e o programa de Mestrado em Sociedade e Cultura em Manaus-AM/UFAM. Foram dois anos de descobertas, de encontros, de vivências em espaços na cidade de Manaus que fiz para recompensar o desejo não realizado da minha avó que foi de conhecer essa cidade da qual ela recebia notícias e novidades por meio do seu pai e outros viajantes na época que vivia no seringal. Ter a oportunidade de ir ao teatro Amazonas como neta de seringueira, fazer o mestrado e escrever a história dela, de seu mundo, me fez perceber que percorri pela minha própria história e ao invés de escrevê-la, inscrevi-me nela.



Terminei o mestrado em 2010, em seguida abri mão de algumas possibilidades que me interessavam para ficar com minha família. Fiz muitas coisas que me deixaram realizada, fui para Europa apresentar minha pesquisa, voltei, participei como educadora/colaboradora de um curso de formação da educação cidadã em Porto Velho, onde pude compartilhar meus conhecimentos e aprender muito, era tudo o que eu queria continuar fazendo, mas aí chegou à hora de resolver a situação financeira, veio as dúvidas, o desejo de não voltar para o funcionalismo público e a resistência ao retorno para a SEDUC, fiz três vezes seleção para professora da unir, a primeira para o terceiro grau indígena que desejava mesmo fazer, mas infelizmente no Processo de seleção foi priorizado quem não tinha experiência na área, mas tinha muito conhecimento das teorias da história, embora, não tivesse na prática nem teoria de etno-história, com essa seleção eu fiquei ressentida por não ter passado, as outras duas fiz sem muita vontade e empenho, não passei, mesmo assim, na terceira seleção achei que não merecia uma nota tão baixa, pois fiz referências a autores clássicos da questão tratada e dissertei com conhecimento de causa sem encher de citações. Resolvi deixar pra lá, voltei para SEDUC e mesmo sabendo dos problemas institucionais, a pedido de alguns, assumi a Educação Escolar Indígena, na REN/Representação de Ensino/PVH, meu projeto era colaborar o máximo, mas por tempo determinado, pois havia decidido me preparar para o doutorado. Cumpri com o projeto, mas acabei me envolvendo tanto com a Educação Escolar indígena que se o ESTADO desse estrutura de trabalho eu não precisaria mais de nada para me sentir realizada, pois sei da importância em colaborar com a construção de uma política de educação específica e diferenciada, mais os desgastes, a falta de investimento, as violências simbólicas cometidas por alguns gestores dentro da SEDUC eram muito forte e tinha pouca gente disposta a enfrentar, então resolvi mudar a estratégia de luta, sai a duras penas do espaço institucional e pretendo voltar para o campo de lutas em outro lugar de discurso com novas armas.

 



Esse tempo todo de 2010 a 2011 por ter sentido na pele a violência simbólica na SEDUC em relação aos direitos indígenas desrespeitados, cada vez mais me tornei mais indígena, entrei de cabeça no trabalho e fiz o que cabia a mim, e muita mais, para sair o projeto de implantação ao ensino médio levando em conta as consultas feitas nas Terras indígenas, mas por falta de prioridade da SEDUC, não aconteceu o que havia sido planejado pela equipe de implantação do Ensino Médio. Resultado, com as mudanças de prioridades o Fórum previsto com as representações das etnias para avaliar e fazer os devidos ajustes para a implantação não aconteceu e até agora nada e os indígenas ficaram sem respostas, os alunos indígenas saindo das suas aldeias para a cidade para estudar e enfrentando todas as dificuldades e situações de riscos. Foi difícil sair e deixar as coisas assim desse jeito, mas é muita manipulação que emperra a reação dos indígenas, não deu mais para agüentar.




O ESTADO Ainda está por me liberar para o doutorado, já fiz tudo o que deveria fazer, se tiver que liberar bem, se não, já vim e vou fazer o doutorado, o resto eu resolvo depois.
Nessa fase de suspensão sem poder voltar para a educação escolar indígena, emparedada pela burocracia, vivi em tramitação junto com o processo. Enquanto isso iniciei meu trabalho de campo e acompanhei as lutas pelos direitos das pessoas afetadas pelas hidrelétricas no Rio Madeira. Encontrei-me de vez no meu espaço amazônico e se não tivesse investido tanto nesse projeto de fazer doutorado, se não tivesse outras pessoas envolvidas nisso, começaria um novo caminho e ficaria no meu lugar interagindo com esse momento de manifestações, persistências com projetos sustentáveis, arte e luta! Mas eu vim, estou aqui e vou fazer o que tem que ser feito.