quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Décadas de luta do Povo Indígena Cassupá e Salamãe para não serem assimilados pela sociedade nacional

O Povo Indígena Cassupá foi deslocado de seu território tradicional na década de 40 do século passado pelo SPI - Serviço de Proteção ao Índio. Foram utilizados na frente de atrações de outros povos indígenas não contactados. Em sua trajetória de histórias compartilhadas com os Salamãe com quem estabeleceram relação de inter-casamentos  reafirmaram seus sentimentos de identidade étnica em comum.  (fotos: Assembléia do Povo Indígena Cassupá e Salamãe em 2011 com atividade de fortalecimento Cultural por meio do intercambio com os Aikanã parentes dos Cassupá - Arquivo CIMI - Conselho Indígenista Missionário).

Depois de uma longa trajetória passando por Mutum Paraná, Guajará Mirim, Ribeirão, entre outros lugares foram deixados no Km 5,5 da BR 364 área do antigo Ministério da Agricultura. Os mais velhos ficaram morando em casas que eram para os trabalhadores do Ministério de lá até recentemente ficaram a merce de serem expulsos a qualquer momento de suas casas.




   Na década de 90 se organizam politicamente por meio da 0PIC'S Organização dos povos indígenas  e Salamãe e desde então passaram a reivindicar da FUNAI  seu reconhecimento étnico e das outras instituições governamentais seus direitos, como educação e saúde. Estou retomando essa história para contextualizar a notícia que recebi de seus Clóvis Cassupá esses dias. Ele me ligou todo feliz para dizer que por meio da documentação enviada  ao Ministério Público conseguiram 5.5 cedida pela União da área onde vivem desde o final da década de 60. Depois eu liguei pra ele e perguntei direitinho por que só 5.5 hectares ai ele me explicou que para eles conseguirem os 40 hectares a FUNAI tem que fazer um grupo de Trabalho - GT para fazer um estudo e laudo de reconhecimento da área como terra indígena. Segundo ele, a FUNAI disse que não tem recursos para pagar esse GT. Enfim, os Cassupá e Salamãi ainda tem muita luta pela frente. A conquista desse 5.5 hectares já deixa o núcleo familiar que vive nessa área mais tranquilo e permite dar continuidade no projeto de reafirmação étnica e  cultural dos Povos Indígenas Cassupá e Salamãe. 


 O Estado os retirou de seu espaço. Atualmente o lugar sagrado deles que é referência de sua origem mítica, o lugar Cascata, tem uma pequena hidrelétrica (PCH) e o restante da área que era seu território é ocupado por fazendeiros. O ESTADO   tem uma dívida com os Cassupá e Samãi e tem que garantir o seu direito de ter um espaço vital para  a restituição de sua vida cultural e étnica.

Ver mais sobre os Cassupá na minha monografia de bacharelado de história feita por meio da história oral em colaboração com os Cassupá:  A Resconstrução de Uma Identidade. Ela não está online, mas quem tiver interesse é só me solicitar.