O livro: "O espaço lembrado: Experiências de vida em Seringais da Amazônia" começou a ser escrito primeiro na minha memória desde criança quando ouvia as histórias da minha avó, Francisca, até eu crescer eu ouvi infinitas vezes suas histórias. Na academia resolvi seguir os caminhos da história oral e por meio dela reconstruir em colaboração a memória de quatro Mulheres, Francisca, Glória, Ester e Izolina.
Ester, a conheço desde pequena. Ela é sogra do meu tio Antônio. Muito animada e ativa, eu a via sempre numa praça do centro da cidade varrendo, ela era funcionária da prefeitura, e seu oficio era varrer as praças do centro. Tomava bença dela e ela me abençoava: "Deus te abençoi minha filha" Quando a entrevistei ela ainda era ativa, já morava com sua filha, Izaura, esposa do meu tio. Foram alguns encontros com ela, e aos poucos fui reconstituindo sua narrativa por meio dos fragmentos que ia gravando em cada encontro. Acompanhei seu definhamento, após a retirada do tabaco que ela mascava. Aos poucos foi ficando mais reclusa em seu quarto. Atualmente, o único meio de eu me comunicar com ela é por meio de um abraço, um beijo, um afago que ela recebe de bom grado e retribui com uma expressão de felicidade.

Gloria,
A conheci no dia em que minha avó estava prestes a morrer no hospital público- João Paulo segundo, em Porto Velho. Eu e minha mãe estávamos no corredor do hospital quando minha mãe reconheceu a filha da dona Glória que estava saindo do hospital empurrando a cadeira de roda que estava dona Glória, fomos apresentadas umas as outras. No outro dia minha avó faleceu... Depois de quase um ano fui com minha mãe na casa da filha da Glória, com quem ela morava. Ela estava sentada na rede, tão linda, tão meiga e atenciosa e com dificuldades de falar conversou comigo e contou aos poucos suas experiências de vida onde fez várias referências amorosas a minha avó... Depois da entrevista ainda a visitei duas vezes, uma para a conferência e outra para saber como ela estava. Fazia meio ano que não a via, e quando eu estava em Porto Velho de recesso do mestrado, a tia Izolina me deu a notícia de seu falecimento, que confirmou meus pressentimentos. A visita que ia ser feita a ela, foi feita a sua filha que estava em luto.


Foi muito especial pra mim receber o respaldo e carinho dos meus professores.
Me senti respaldada pelos meus professores do mestrado, que sempre me consideraram uma interlocutora e valorizada pela Universidade Federal do Amazonas, que investe em pesquisadores locais.

De volta a Porto Velho, meu espaço de nascimento e luta, Iremar, meu amor, que está sempre ao meu lado, propôs fazer o lançamento no Programa "Vozes da Amazônia". O que foi muito importante para mais uma forma de publicização do trabalho em história oral. A Entrevista conduzida por Iremar proporcionou o compartilhamento de saberes com as comunidades que ouvem o programa.

Também foi importante doar dois exemplares do livro para a biblioteca, Francisco Meirelles, em Porto Velho, e ver as narrativas das quatro mulheres fazendo parte do acervo da história regional, existente na biblioteca.