terça-feira, 31 de dezembro de 2013

SEM FRONTEIRAS: Violência contra povos indigenas em Humaitá - AM, ...

SEM FRONTEIRAS: Violência contra povos indigenas em Humaitá - AM, ...: Caros amigos, amigas.  Venho por meio deste texto oferecer uma leitura do conflito em Humaitá - AM, intensificado no dia de ontem seguind...

SEM FRONTEIRAS: A GUERRA CONTINUA! 500 ANOS NÃO FORAM SUFICIENTES!...




Só para lembrar que os Tenharim não estão sozinhos... Os indígenas do sul do Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e Pará... Estão juntos na luta, em outubro de 2013 traçamos nossas frentes de luta em conjunto, nosso encontro foi em Humaitá onde eclodiu um conflito. Mas apesar de toda ação anti-indígena, nós vamos resistir!!!!
SEM FRONTEIRAS: A GUERRA CONTINUA! 500 ANOS NÃO FORAM SUFICIENTES!...: http://www.xinguvivo.org.br/ 2013/12/10/atingidos-e- ameacados-por-usinas-na- amazonia-protestam-no-dia-dos- direitos-humanos/ Atingidos ...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A conquista de um sonho coletivo


O livro: "O espaço lembrado: Experiências de vida em Seringais da Amazônia" começou a ser escrito primeiro na minha memória desde criança quando ouvia as histórias da minha avó, Francisca, até eu crescer eu ouvi infinitas vezes suas histórias. Na academia resolvi seguir os caminhos da história oral e por meio dela reconstruir em colaboração a memória de quatro Mulheres, Francisca, Glória, Ester e Izolina.

Ester, a conheço desde pequena. Ela é sogra do meu tio Antônio. Muito animada e ativa, eu a via sempre numa praça do centro da cidade varrendo, ela era funcionária da prefeitura, e seu oficio era varrer as praças do centro. Tomava bença dela e ela me abençoava: "Deus te abençoi minha filha" Quando a entrevistei ela ainda era ativa, já morava com sua filha, Izaura, esposa do meu tio. Foram alguns encontros com ela, e aos poucos fui reconstituindo sua narrativa por meio dos fragmentos que ia gravando em cada encontro. Acompanhei seu definhamento, após a retirada do tabaco que ela mascava. Aos poucos foi ficando mais reclusa em seu quarto. Atualmente, o único meio de eu me comunicar com ela é por meio de um abraço, um beijo, um afago que ela recebe de bom grado e retribui com uma expressão de felicidade.






Gloria,

A conheci no dia em que minha avó estava prestes a morrer no hospital público- João Paulo segundo, em Porto Velho. Eu e minha mãe estávamos no corredor do hospital quando minha mãe reconheceu a filha da dona Glória que estava saindo do hospital empurrando a cadeira de roda que estava dona Glória, fomos apresentadas umas as outras. No outro dia minha avó faleceu... Depois de quase um ano fui com minha mãe na casa da filha da Glória, com quem ela morava. Ela estava sentada na rede, tão linda, tão meiga e atenciosa e com dificuldades de falar conversou comigo e contou aos poucos suas experiências de vida onde fez várias referências amorosas a minha avó... Depois da entrevista ainda a visitei duas vezes, uma para a conferência e outra para saber como ela estava. Fazia meio ano que não a via, e quando eu estava em Porto Velho de recesso do mestrado, a tia Izolina me deu a notícia de seu falecimento, que confirmou meus pressentimentos. A visita que ia ser feita a ela, foi feita a sua filha que estava em luto.

Entreguei um exemplar para a tia Izolina assim que cheguei de Manaus, onde foi o lançamento do livro, e já me senti satisfeita porque as duas noites e meio dia que fiquei com ela, li pra ela fragmentos da sua narrativa e após a leitura, ela saboreava sua própria rememoração. Também vou entregar um exemplar para a filha da dona Glória e o exemplar da D. Ester. Fiquei emocionada ao entregar um exemplar para minha mãe que me acompanhou nas entrevistas com D. Glória e também na ocasião representou minha avó.


Como agradecimento dei de presente para minha irmã, Mônica, que me apoiou desde meus primeiros passos de pesquisadora, dando suporte nos cuidados com os filhos na fase em que eles precisavam de alguém para estar de olho neles, dar banho, comida, colocar pra dormir, quando eu estava estudando, pesquisando, escrevendo.

Foi muito emocionante o lançamento na lua, livraria da Editora da Universidade Federal do Amazonas, que publicou o livro. Foi num espaço de vivência durante meu mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia. Foi muito gratificante a presença e o apoio dos meus professores e amigos que fizeram parte do  processo de construção desse trabalho saboroso. 
Foi muito especial pra mim receber o respaldo e carinho dos meus professores.    





Me senti respaldada pelos meus professores do mestrado, que sempre me consideraram uma interlocutora e valorizada pela Universidade Federal do Amazonas, que investe em pesquisadores locais.





 De volta a Porto Velho, meu espaço de nascimento e luta, Iremar, meu amor, que está sempre ao meu lado, propôs fazer o lançamento no Programa "Vozes da Amazônia". O que foi muito importante para mais uma forma de publicização do trabalho em história oral. A Entrevista conduzida por Iremar proporcionou o compartilhamento de saberes com as comunidades que ouvem o programa.


 


Também foi importante doar dois exemplares do livro para a biblioteca, Francisco Meirelles, em Porto Velho, e ver as narrativas das quatro mulheres fazendo parte do acervo da história regional, existente na biblioteca. 

Estou feliz pela realização desse sonho coletivo!








sexta-feira, 16 de agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Refletindo um pouco sobre a marcha das vadias



O termo Vadia é polêmico e algumas mulheres não se sentem contemplado por ele, enquanto conceito de protesto, isso porque historicamente o termo vadia tem sido naturalizado socialmente como um termo pejorativo dado as mulheres. Considerando diferentes contextos históricos e culturais é possível entender que há alguns limites para a sua desconstrução social.  No caso das mulheres Negras Americanas de descendência africana, ativistas na luta anti-violência, elas não se sentiram contempladas pela Marcha das Vadias, embora reconheçam e parabenizem a ousadia das mulheres brasileiras que reagiram aos comentários do policial de Toronto, que culpalizou as mulheres por serem estupradas, mas para elas, diante do seu contexto histórico em que foram percebidas e o que acontece com elas antes, durante e após o assédio sexual, a questão vai além de um protesto contra a crimilização do modo de se vestir. Na carta[1] que elas fizeram para as mulheres que organizaram a marcha no Brasil elas declaram: ... “Vai além das barreiras do modo como nos vestimos. Muito disso é ligado a nossa história em particular. Nos Estados Unidos onde a escravidão construiu a sexualidade da mulher Negra, sequestros de crianças negras para serem vendidas como escravas, estupros e enforcamentos, representações de gênero incorretas, e mais recentemente, a luta das mulheres Negras imigrantes, “vadia” tem diferentes associações para mulheres Negras”. Nós brasileiras temos que considerar o contexto histórico das Mulheres Negras Americanas, assim como os diferentes contextos históricos culturais de coletividades de mulheres no nosso próprio país. Assim como as mulheres Negras Americanas não se identificaram com a Marcha das vadias, algumas mulheres brasileiras também não se identificaram, mas no Brasil ainda precisa haver um debate mais abrangente entre mulheres de diferentes contextos culturais e históricos, para saber como se sentem diante do termo, até o momento nas justificativas das que não se identificam com o termo “Vadia” predomina uma noção de falsa moral social, no entanto, há que se considerar os diferentes contextos culturais. Há que se considerar também que as questões levadas as Marchas das Vadias realizada no Brasil até então, a questão não se restringe apenas aos discursos moralistas-machistas voltados para os modos da mulher se vestir, é muito mais ampla, as mulheres estão lutando por seus direitos como um todo.  No que diz respeito a Rondônia temos diferentes representações de mulheres em diferentes contextos culturais e históricos também: Indígenas, extrativistas, agricultoras e as várias categorias do espaço urbano. Levando em conta as diferenças, sabemos que historicamente as indígenas desde a colonização no Brasil foram arrancadas a força de seus povos para serem vendidas e para se tornarem esposas dos homens não indígenas. Na Amazônia há a especificidade histórica dos raptos de mulheres indígenas para serem esposas dos homens dos seringais, há ainda também o rótulo pejorativo da mulher da Amazônia como exotismo sexual, construído historicamente. Nesse contexto, temos que considerar que, embora haja violência contra as mulheres tanto no espaço rural como no espaço urbano, não podemos universalizar a maneira de como se constitui a mulher nas diferentes culturas.
Em Rondônia, a Marcha das Vadias tem como eixo de discussão toda violência causada às mulheres, as simbólicas e as físicas. Dando destaque as violências causadas no contexto da construção das hidrelétricas no rio Madeira. E nesse contexto, as mulheres indígenas, as extrativistas, agricultoras e as urbanas, são muito mais que afetadas, eu diria desmoronadas. Basta conhecer as realidades das comunidades indígenas, extrativistas e as diferentes comunidades rurais, para perceber esse desmoronamento das vidas que afetam diretamente as mulheres, muitas delas perderam suas filhas para o mercado de exploração sexual em torno das hidrelétricas, ainda hoje há mães se lamentado porque suas filhas estão abandonado suas casas para virem para a cidade e acabam por serem utilizadas no mercado do sexo.
Há casos de tráfico de mulheres facilitado pela Trans Oceânica – (Peru-Brasil) que foi apresentado no fórum da Pan Amazônia, realizado em novembro de 2012 em Cobija, há casos de tráficos de mulheres indígenas que chegou a sair nos jornais locais no inicio das obras de hidrelétricas, há casos camuflados de meninas bolivianas exploradas sexualmente nos estabelecimentos de comercialização do sexo, no entorno do canteiro de obras de jirau. E para quem acompanhou as notícias ou mesmo vivenciou o bum das hidrelétricas em Porto Velho, sabe do alto índice de exploração sexual infantil e o assédio às mulheres nos espaços públicos, como praças e ruas, o aumento de estupros no campo e na cidade. Além disso, há a exploração da mão de obra feminina que é inferiorizada nos canteiros de obras.
 A expropriação das mulheres que habitavam as margens do rio Madeira e foram jogadas às margens sociais, não pode deixar de ser mencionada. Nesse, sentido, em Rondônia resolvemos peitar o moralismo social e realizar a marcha das vadias, entendendo o termo como um contra discurso da naturalização da mulher pela sociedade, que estabelece como devemos nos comportar e rotulam de “vadias” as mulheres que rompem de alguma forma os padrões estabelecidos socialmente. A adoção do termo em si já é ir à contra mão desses discursos que criminalizam a mulher por ser violentada, colocando-as como causadoras da agressão sofrida.

*escrito por mim.



terça-feira, 16 de julho de 2013

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tempos Múltiplos

Tenho Vivenciado tantas coisas que não cabem no calendário ocidental dos anos, dos dias, dos meses, das semanas. Outros tempos me atravessam o das águas, da chuva, da floresta, da lua, do sol, da luta constante, das buscas de si mesma, das memórias de outros tempos.