quarta-feira, 30 de abril de 2014

Novas vivências



Nos dias 16 e 17 de maio estarei no encontro de escritoras iberoamericanas em São José do rio preto – São Paulo - brasil, a convite do SESC- Rio preto: (...) “VI Jornada Internacional de Mulheres Escritoras”, com uma palestra, no SESC de Rio Preto, São Paulo".
Apoios:
SESC-São Paulo –UBE (União Brasileira de Escritores)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

sábado, 4 de janeiro de 2014

Fim trágico de 2013 e o desafio de manter a luta em 2014


2013 terminou de forma trágica com os conflitos interétnicos entre não indígenas e indígenas. Durante todo o ano houve conflitos de disputas territoriais entre madeireiros, latifundiários, frentes do agronegotóxico, projetos de mortes do governo federal, como hidroelétricas, rodovias, dentre outros projetos que estão interligados a expansão da exploração capitalista que passa por cima de territórios tradicionais de povos indígenas, extrativistas, quilombos e demais comunidades tradicionais. Esses projetos desrespeitam os modos de vida dessas populações, destroem seus espaços de ocupação tradicional onde significam suas vidas que correspondem aos espaços dos roçados, dos cemitérios, das coletas, das caças, das pescas, das festas.
A intervenção de projetos desenvolvimentistas que desconsideram os modos de vida das comunidades modifica toda a configuração cultural dessas comunidades, porque muda tudo, a cheia e a seca dos rios e igarapés mudam de período, essas alterações interferem no modo em que essas comunidades marcam sua temporalidade, além da contaminação de água, a chegada de muita gente de fora, que trás junto outros problemas sociais, como modificação nas relações estabelecidas na comunidade.

Passei o ano inteiro vivenciando experiências nos espaços às margens dos rios e lagos que foram antigos territórios de perambulação indígena que se tornaram espaços de seringais e que atualmente é um espaço formado por uma população que mantém tradições e ao mesmo tempo fazem uso de tecnologias do mundo moderno. Também vivenciei experiências com os parentes indígenas que na resistência constante mantém suas línguas maternas e sua cultura e com aqueles que estão em processo de retomada territorial e em fase de reafirmação identitária.

2013 foi um ano em que andei muito de barco e interagi com as redes de relações dos espaços de vida às margens dos rios e lagos, tomei muito banho nas águas amazônicas, comi  moquém de caça e peixe, frutas e tomei vinhos das frutas, como o do açaí e da abacaba, experimentei a coleta e a quebra da castanha que foi mágica e ao mesmo tempo um trabalho duro, também fui para o trabalho coletivo no roçado – puxirum, participei das festas de santos que para além da interferência da tradição cristã e muito mais ritual de rememoração dos antepassados e nos territórios indígenas as festas tradicionais, a relação de parentesco afetivo, as festividades e as lutas indígenas. Vivenciei intensamente a Amazônia que luto para continuar existindo e fui para a atuação política na denúncia das ameaças e destruições causadas por projetos desenvolvimentistas do governo federal.
2013 terminou com muita injustiça causada aos Povos indígenas e dentre elas as violências simbólicas e as mais concretas contra os parentes Tenharim na cidade de Humaitá e no seu território. Terminei esse ano com o nó na garganta, com choro engolido por ver mais uma vez a violência do etnocentrismo sobre os indígenas. Até quando vai ser assim: os territórios indígenas são invadidos e os indígenas resistindo apesar dos genocídios e toda a tensão da relação interétnica entre não indígena e não indígena onde apenas o indígena é condenado e visto como o selvagem???  Penso que sempre, pois vamos continuar lutando por nossa existência, pelos territórios, sem território não tem tradição cultural.

O grande desafio que se coloca nesse 2014 é não ceder às pressões capitalistas e etnocêntricas é manter a resistência é fazer uso das articulações políticas para fortalecer a resistência. Nesse ano de 2014 vou ficar longe de tudo que me renova para a luta para a vida, vou ficar longe das águas, das matas, dos parentes dos espaços de seringais e dos territórios indígenas, mas vou ser forte na selva de pedras (São Paulo) me aliar aos indígenas e não indígenas que fazem uso do espaço da academia para fortalecer a defesa dos territórios dessas populações. Vou me manter na luta sempre!!!!! Vou ser forte como meus parentes indígenas.




terça-feira, 31 de dezembro de 2013

SEM FRONTEIRAS: Violência contra povos indigenas em Humaitá - AM, ...

SEM FRONTEIRAS: Violência contra povos indigenas em Humaitá - AM, ...: Caros amigos, amigas.  Venho por meio deste texto oferecer uma leitura do conflito em Humaitá - AM, intensificado no dia de ontem seguind...

SEM FRONTEIRAS: A GUERRA CONTINUA! 500 ANOS NÃO FORAM SUFICIENTES!...




Só para lembrar que os Tenharim não estão sozinhos... Os indígenas do sul do Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e Pará... Estão juntos na luta, em outubro de 2013 traçamos nossas frentes de luta em conjunto, nosso encontro foi em Humaitá onde eclodiu um conflito. Mas apesar de toda ação anti-indígena, nós vamos resistir!!!!
SEM FRONTEIRAS: A GUERRA CONTINUA! 500 ANOS NÃO FORAM SUFICIENTES!...: http://www.xinguvivo.org.br/ 2013/12/10/atingidos-e- ameacados-por-usinas-na- amazonia-protestam-no-dia-dos- direitos-humanos/ Atingidos ...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A conquista de um sonho coletivo


O livro: "O espaço lembrado: Experiências de vida em Seringais da Amazônia" começou a ser escrito primeiro na minha memória desde criança quando ouvia as histórias da minha avó, Francisca, até eu crescer eu ouvi infinitas vezes suas histórias. Na academia resolvi seguir os caminhos da história oral e por meio dela reconstruir em colaboração a memória de quatro Mulheres, Francisca, Glória, Ester e Izolina.

Ester, a conheço desde pequena. Ela é sogra do meu tio Antônio. Muito animada e ativa, eu a via sempre numa praça do centro da cidade varrendo, ela era funcionária da prefeitura, e seu oficio era varrer as praças do centro. Tomava bença dela e ela me abençoava: "Deus te abençoi minha filha" Quando a entrevistei ela ainda era ativa, já morava com sua filha, Izaura, esposa do meu tio. Foram alguns encontros com ela, e aos poucos fui reconstituindo sua narrativa por meio dos fragmentos que ia gravando em cada encontro. Acompanhei seu definhamento, após a retirada do tabaco que ela mascava. Aos poucos foi ficando mais reclusa em seu quarto. Atualmente, o único meio de eu me comunicar com ela é por meio de um abraço, um beijo, um afago que ela recebe de bom grado e retribui com uma expressão de felicidade.






Gloria,

A conheci no dia em que minha avó estava prestes a morrer no hospital público- João Paulo segundo, em Porto Velho. Eu e minha mãe estávamos no corredor do hospital quando minha mãe reconheceu a filha da dona Glória que estava saindo do hospital empurrando a cadeira de roda que estava dona Glória, fomos apresentadas umas as outras. No outro dia minha avó faleceu... Depois de quase um ano fui com minha mãe na casa da filha da Glória, com quem ela morava. Ela estava sentada na rede, tão linda, tão meiga e atenciosa e com dificuldades de falar conversou comigo e contou aos poucos suas experiências de vida onde fez várias referências amorosas a minha avó... Depois da entrevista ainda a visitei duas vezes, uma para a conferência e outra para saber como ela estava. Fazia meio ano que não a via, e quando eu estava em Porto Velho de recesso do mestrado, a tia Izolina me deu a notícia de seu falecimento, que confirmou meus pressentimentos. A visita que ia ser feita a ela, foi feita a sua filha que estava em luto.

Entreguei um exemplar para a tia Izolina assim que cheguei de Manaus, onde foi o lançamento do livro, e já me senti satisfeita porque as duas noites e meio dia que fiquei com ela, li pra ela fragmentos da sua narrativa e após a leitura, ela saboreava sua própria rememoração. Também vou entregar um exemplar para a filha da dona Glória e o exemplar da D. Ester. Fiquei emocionada ao entregar um exemplar para minha mãe que me acompanhou nas entrevistas com D. Glória e também na ocasião representou minha avó.


Como agradecimento dei de presente para minha irmã, Mônica, que me apoiou desde meus primeiros passos de pesquisadora, dando suporte nos cuidados com os filhos na fase em que eles precisavam de alguém para estar de olho neles, dar banho, comida, colocar pra dormir, quando eu estava estudando, pesquisando, escrevendo.

Foi muito emocionante o lançamento na lua, livraria da Editora da Universidade Federal do Amazonas, que publicou o livro. Foi num espaço de vivência durante meu mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia. Foi muito gratificante a presença e o apoio dos meus professores e amigos que fizeram parte do  processo de construção desse trabalho saboroso. 
Foi muito especial pra mim receber o respaldo e carinho dos meus professores.    





Me senti respaldada pelos meus professores do mestrado, que sempre me consideraram uma interlocutora e valorizada pela Universidade Federal do Amazonas, que investe em pesquisadores locais.





 De volta a Porto Velho, meu espaço de nascimento e luta, Iremar, meu amor, que está sempre ao meu lado, propôs fazer o lançamento no Programa "Vozes da Amazônia". O que foi muito importante para mais uma forma de publicização do trabalho em história oral. A Entrevista conduzida por Iremar proporcionou o compartilhamento de saberes com as comunidades que ouvem o programa.


 


Também foi importante doar dois exemplares do livro para a biblioteca, Francisco Meirelles, em Porto Velho, e ver as narrativas das quatro mulheres fazendo parte do acervo da história regional, existente na biblioteca. 

Estou feliz pela realização desse sonho coletivo!