quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vivências indígenas em São Paulo


Em 2014 tenho que ficar longe do meu lugar de afeto e lutas, Porto Velho, por causa das atividades do doutorado em História Social na USP, um espaço em que atuo junto com outros parentes indígenas e aliados no movimento de ocupação indígena. Nesse mês de abril eu e meus filhos Lucas e Tanan nos envolvemos nas ações a favor da demarcação das terras dos Guarani em São Paulo e em atividades de valorização da cultura indígena. Nesses espaços de interação também aproveitamos para tornar conhecida as lutas das populações amazônicas contra os projetos desenvolvimentistas.











Valorização da cultura indígena


''1º Jogos Indígenas da Cidade de São Paulo - 19 de abril de 2014' Eu, Lucas e Tanan Mura juntos com demais parentes indígenas, Ticuna, Guarani, Guajajara e Xavante, trabalhando num evento de valorização da cultura indígena. 

Reafirmando a identidade indígena nas trocas de experiências entre parentes


Meu filho Lucas Maciel Ferreira reafirmado sua identidade Mura no
''1º Jogos Indígenas da Cidade de São Paulo - 19 de abril de 2014' - 
Além de ter se empenhado na coordenação das atividades esportivas e recreativas ganhou em primeiro lugar no concurso de beleza indígena masculina realizado no evento. Fiquei super orgulhosa.

Novas vivências



Nos dias 16 e 17 de maio estarei no encontro de escritoras iberoamericanas em São José do rio preto – São Paulo - brasil, a convite do SESC- Rio preto: (...) “VI Jornada Internacional de Mulheres Escritoras”, com uma palestra, no SESC de Rio Preto, São Paulo".
Apoios:
SESC-São Paulo –UBE (União Brasileira de Escritores)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

sábado, 4 de janeiro de 2014

Fim trágico de 2013 e o desafio de manter a luta em 2014


2013 terminou de forma trágica com os conflitos interétnicos entre não indígenas e indígenas. Durante todo o ano houve conflitos de disputas territoriais entre madeireiros, latifundiários, frentes do agronegotóxico, projetos de mortes do governo federal, como hidroelétricas, rodovias, dentre outros projetos que estão interligados a expansão da exploração capitalista que passa por cima de territórios tradicionais de povos indígenas, extrativistas, quilombos e demais comunidades tradicionais. Esses projetos desrespeitam os modos de vida dessas populações, destroem seus espaços de ocupação tradicional onde significam suas vidas que correspondem aos espaços dos roçados, dos cemitérios, das coletas, das caças, das pescas, das festas.
A intervenção de projetos desenvolvimentistas que desconsideram os modos de vida das comunidades modifica toda a configuração cultural dessas comunidades, porque muda tudo, a cheia e a seca dos rios e igarapés mudam de período, essas alterações interferem no modo em que essas comunidades marcam sua temporalidade, além da contaminação de água, a chegada de muita gente de fora, que trás junto outros problemas sociais, como modificação nas relações estabelecidas na comunidade.

Passei o ano inteiro vivenciando experiências nos espaços às margens dos rios e lagos que foram antigos territórios de perambulação indígena que se tornaram espaços de seringais e que atualmente é um espaço formado por uma população que mantém tradições e ao mesmo tempo fazem uso de tecnologias do mundo moderno. Também vivenciei experiências com os parentes indígenas que na resistência constante mantém suas línguas maternas e sua cultura e com aqueles que estão em processo de retomada territorial e em fase de reafirmação identitária.

2013 foi um ano em que andei muito de barco e interagi com as redes de relações dos espaços de vida às margens dos rios e lagos, tomei muito banho nas águas amazônicas, comi  moquém de caça e peixe, frutas e tomei vinhos das frutas, como o do açaí e da abacaba, experimentei a coleta e a quebra da castanha que foi mágica e ao mesmo tempo um trabalho duro, também fui para o trabalho coletivo no roçado – puxirum, participei das festas de santos que para além da interferência da tradição cristã e muito mais ritual de rememoração dos antepassados e nos territórios indígenas as festas tradicionais, a relação de parentesco afetivo, as festividades e as lutas indígenas. Vivenciei intensamente a Amazônia que luto para continuar existindo e fui para a atuação política na denúncia das ameaças e destruições causadas por projetos desenvolvimentistas do governo federal.
2013 terminou com muita injustiça causada aos Povos indígenas e dentre elas as violências simbólicas e as mais concretas contra os parentes Tenharim na cidade de Humaitá e no seu território. Terminei esse ano com o nó na garganta, com choro engolido por ver mais uma vez a violência do etnocentrismo sobre os indígenas. Até quando vai ser assim: os territórios indígenas são invadidos e os indígenas resistindo apesar dos genocídios e toda a tensão da relação interétnica entre não indígena e não indígena onde apenas o indígena é condenado e visto como o selvagem???  Penso que sempre, pois vamos continuar lutando por nossa existência, pelos territórios, sem território não tem tradição cultural.

O grande desafio que se coloca nesse 2014 é não ceder às pressões capitalistas e etnocêntricas é manter a resistência é fazer uso das articulações políticas para fortalecer a resistência. Nesse ano de 2014 vou ficar longe de tudo que me renova para a luta para a vida, vou ficar longe das águas, das matas, dos parentes dos espaços de seringais e dos territórios indígenas, mas vou ser forte na selva de pedras (São Paulo) me aliar aos indígenas e não indígenas que fazem uso do espaço da academia para fortalecer a defesa dos territórios dessas populações. Vou me manter na luta sempre!!!!! Vou ser forte como meus parentes indígenas.




terça-feira, 31 de dezembro de 2013