sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Manifesto sobre a situação na base de Frente de Proteção Etnoambiental no Xinane

Indígenas isolados perseguidos por paramilitares do Peru na fronteira Acre com Peru.
Fonte:http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/files/2011/08/isolados.jpg
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Dom, 07 de Agosto de 2011 22:03
A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC) afirma seu apoio à equipe que integra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira (FPERE), no rio Xinane, nas proximidades do Paralelo 10º, a 32 Km da fronteira peruana, em sua decisão de permanecer na base da frente, a despeito dos riscos e ameaças diante da invasão de paramilitares até que as autoridades competentes assumam a responsabilidade de proteção dos índios isolados e dos demais povos que vivem na região.
O sertanista José Carlos Meirelles, os mateiros Marreta (Francisco Alves da Silva Castro) e Chicão (Francisco de Assis Martins de Oliveira), Artur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira (FPERE/FUNAI), e Carlos Travassos, da Coordenação Geral dos Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC/FUNAI), integram esta equipe que decide afirmar seu compromisso em defesa destas populações.
Desde o início da década de 2000, a CPI/AC chama atenção para a relação dos índios isolados com as dinâmicas de fronteira e suas influências em terras indígenas demarcadas no limite entre Brasil e Peru, abrangendo o estado do Acre e o departamento de Ucayali. A ameaça do tráfico de drogas, atrelado à exploração ilegal de madeira e facilitado com as grandes obras de infra-estrutura sempre foi uma preocupação no tocante aos povos que transitam por entre as fronteiras nacionais. Estes desafios que causam o deslocamento dos povos isolados para áreas onde possam ter acesso principalmente à comida e segurança acabam por aproximá-los mais das aldeias de outros parentes. Com a emergência de novos desafios na fronteira, as relações territoriais nas imediações e nas próprias terras indígenas levam a mudanças nos padrões de deslocamento dos isolados. Estes padrões mudam dadas estas pressões. Contudo, os indígenas de terras já demarcadas e reconhecidas não sabem ou entendem muito claramente o que causa o deslocamento e as pressões, o que leva a uma condição de incerteza com relação à autonomia territorial que pode despertar possibilidade de conflito.
No início de julho de 2011, a CPI/AC esteve presente em coletiva na FUNAI sobre a temática dos isolados, dada a divulgação na imprensa sobre eles estarem na iminência de conflito com outros grupos indígenas por causa de seu deslocamento. Nesta ocasião, chamou-se a atenção para o fato de que o problema dos isolados na região de fronteira, tal qual é a situação do Envira, não poderia ser descolada das questões de segurança e soberania nacional. Ficou claro, neste momento, que a temática indígena, de seus territórios e, em última instância, de seus direitos à vida digna enquanto seres humanos é também relativa à soberania e merece igual atenção. Além disso, desde o início da história do Acre e de outros territórios de fronteira no Brasil, os índios sempre foram fator predominante para se dizer que o território era brasileiro, e que a terra merecia ser protegida.
Dessa forma, é preciso que no momento em que sua vida e seus modos de vida estejam sendo ameaçados, bem como daqueles que os defendem, os órgãos responsáveis constitucionalmente pela defesa deste território estejam a postos para protegê-los e, bem como os servidores dos órgãos responsáveis, constitucionalmente por defendê-los. Neste sentido, trabalhar para que a cultura, territorialidade e identidade indígena sejam preservadas, é fundamental para que os direitos indígenas, incluindo aquele de determinar sua própria vida, não sejam esvaziados em situações como as dos isolados, esquecidos nas fronteiras brasileiras.
Sendo assim, a demora e a falta de apoio que os membros da FPERE/FUNAI e da CGIIRC/FUNAI estão tendo para cuidar da invasão e do saque ocorrido no Xinane é, no mínimo, falta de respeito e cuidado com estas populações. Isto os deixa na iminência de práticas genocidas já ocorridas na região acreana e nas fronteiras. Nesta época, a sabedoria indígena já era importante ferramenta para definir as fronteiras políticas e expandir as fronteiras econômicas, ainda que os índios continuassem esquecidos, não compondo o projeto desenvolvimentista oficial, que é muito mais antigo do que os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento.  Contemporaneamente, fora da agenda de expansão e cooperação comercial do país, os índios isolados continuam fora da pauta, à margem dos direitos humanos e da humanidade, não dado o seu isolamento, mas ao desrespeito com suas condições de vida.
A despeito de ser signatário da Declaração das Nações Unidas Para os Povos Indígenas e da Convenção 169 da OIT, que coloca o direito a se determinar de maneira sustentável dentro dos costumes comunitários como essencial, o Brasil não dá o devido cuidado à temática indígena, quando esta se confronta com desenvolvimento e com as políticas de fronteira. Com relação às últimas, indígenas não são reconhecidos como atores relevantes para a formulação e execução de ações. Dessa forma, quando vemos os membros da frente desamparados no posto de controle ao tentar defender estes direitos e o protagonismo indígena em tais situações, indignamo-nos. Por acreditar que isto é essencial para a segurança e sobrevivência dos índios isolados, assim como para a autonomia na gestão e segurança dos territórios daquelas comunidades já reconhecidas constitucionalmente habitando áreas fronteiriças, a CPI/AC busca fortalecer a inclusão deste problema nas agendas de política pública. A integração e a conversação entre as comunidades e poder público é a única via para a resolução desta situação. Acreditamos ser esta a verdadeira integração. Se os governos peruano e brasileiro estão empenhados em investir na integração de suas estruturas, então a segurança das fronteiras e das populações nela presentes é marco fundamental da mesma cooperação.
A CPI/AC manifesta, assim, apoio à decisão do grupo que decidiu ficar na base e defender os índios isolados sob ameaça de genocídio pela ação de supostos paramilitares peruanos. Todavia, pensa-se que esta via de diálogo e ação, em consonância com as comunidades de forma imediata, vinda por parte das Forças Armadas, Ministério da Defesa e Ministério da Justiça é necessária e urgente. É preciso que os governos estadual e federal, bem como o governo peruano, reconheçam que os índios foram, são e sempre serão parte relevante da política e das dinâmicas nacionais, especialmente na fronteira. Agora, com sua segurança ameaçada, esperamos que a defesa da soberania nacional não se sobreponha e se desconecte mais uma vez dos direitos e da política indigenista e da política dos índios.  É preciso tratar do assunto de forma integrada e entender que, neste caso, a segurança nacional estará ligada a defesa da vida, não apenas da nação, mas daqueles que vivem, sobrevivem e fazem a região do Envira ser o Brasil que é.
Por isso, urgimos ao poder público responsável que apóie e aja segundo suas prerrogativas constitucionais e internacionais. Ademais, pedimos que a sociedade política, que é muito mais que o governo, mobilize-se sobre o assunto em parceria com as organizações que já trabalham com o assunto a fim de que possamos exigir decisões acertadas sobre o assunto.
Rio Branco, 07 de agosto de 2011.
Comissão Pró-Índio do Acre
ERRAMOS
PAC - Programa de Aceleração do Crescimento

Fonte:http://www.cpiacre.org.br/1/index.php?option=com_content&view=article&id=143:manifesto-sobre-a-situacao-na-base-de-frente-de-protecao-etnoambiental-no-xinane&catid=35:noticias&Itemid=55

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia Internacional dos Povos Indígenas


  Peça da exposição de peças de Darcy Ribeiro em Brasília em homenagem ao dia internacional dos Povos Indigenas.
 
No dia 10 de agosto foi o dia Internacional dos Povos Indígenas, mas não vi muita divulgação sobre alguma comemoração, o que recebi foi noticias de conflitos, confrontos e etnocídios.
Na fronteira do Acre com Peru foi denunciado pelo chefe de coordenação Geral de Índios Isolados e confirmado pela Frente de Proteção etnoambiental localizada no igarapé Xinane que supostos paramilitares armados com fuzis e metralhadoras atravessaram a fronteira para exterminar indígenas isolados que estão fugindo do lado do Peru. Estes supostos paramilitares peruanos que invadiram o território brasileiro, realizaram "correria", isto é, fizeram matança organizada de indígenas isolados.
Não é só na fronteira do Acre com o Peru que o etnocídio vem acontecendo, em vários lugares da Amazônia e suas fronteiras de forma silenciada. Em Rondônia o grupo de indígenas livres-isolados que perambulam entre o território do Povo Karitiana e o do Povo Karipuna estão acuados com o desmatamento causado pelo empreendimento da hidrelétrica de jirau em Jací-Paraná e estão destinados ao desparecimento por causa do alagamento da área, as denuncias foram feitas, mas o empreendimento continua devastando tudo. Na tentativa de evitar a morte desse grupo uma equipe de contato de indígenas isolados da FUNAI tem feito algumas frentes para localizá-los e estabelecer algum contato, isso mais por interesse dos indigenistas do que mesmo da FUNAI.
Ainda em Rondônia o Povo Indígena Karitiana encontra-se na luta pela retomada de territórios antigos ocupados por diferentes clãs da etnia e com persistência e coragem resistem na retomada de dois espaços ocupados por fazendeiros, um no Cadeias do jamari e outro nas proximidades da aldeia central, no Rio Candeias construíram a aldeia Byjyty Osop Aky e no território tradicional antes de chegar na aldeia central do lado direito da BR 364 sentido Guajará Mirim foi construída a aldeia Juarí, nas duas aldeias as famílias são pressionadas pelos fazendeiros.
Não posso deixar de falar dos Karipuna que vivem no alto do rio Jaci que escaparam do total extermínio, mas encontram-se reduzidos devido o genocídio causado pelas guerras surdas entre seringalistas e grileiros de terra e a construção da Ferrovia Madeira Mamoré. Os mesmos agora se agarram nas compensações das Hidrelétricas de Santo Antônio pelo impacto ambiental, irreversível diga-se de passagem, para garantir o que foi negligenciado pelo Estado a anos, como por exemplo, a construção da escola e do posto de saúde. E o Povo Indígena Cassupá e Salamãi que se encontram no Km 5,5 da BR 364, sentido Cuiabá, desde o final da década de 60 depois de terem passado por uma longa trajetória de deslocamento e terem sido utilizados pelo SPI – Serviço de Proteção ao Índio nas frentes da atração de povos indígenas não contactados e depois da extinção do SPI foram deixados na área do antigo Ministério da Agricultura, onde se encontram atualmente. Hoje estão fazendo um pré-laudo da área ocupada culturalmente para garantirem um espaço vital de suas vidascom apoio de algumas instituições não governamentais. A Funai de Brasília não os reconhece como etnia indígena, e por esse motivo, não foram incluídos na compensação da empresa Santo Antônio Energia, eles apresentaram essa situação ao ministério público e reivindicam a compensação por terem feito um acordo com os Karipuna de formar uma comunidade na parte sul do território, onde ainda é mantida por eles algumas plantações e se revesam entre os homens para manter o lugar ocupado e colaborarem na fiscalização do território, não permaneceram com suas famílias na comunidade por falta de estrutura, escola atendimento de saúde e dificuldade de deslocamento.
Apesar das várias politicas de estado que visaram o apagamento das etnias indígenas, os Povos indígenas continuam existindo, resistindo e buscando alternativas de vida.
Por meio da rede Pan Amazônia recebi a notícia postada por Marquinhos Mota, Coordenador de projeto – rede FAOR, que em La Paz, Bolívia, no dia 11/8/2011 os Povos Indígenas das planícies orientais da Bolívia reeditarão, 21 anos depois, uma caminhada de 600 quilômetros em defesa das terras onde está prevista a construção de uma estrada de tráfego intenso e pesado, com apoio do governo brasileiro. A marcha contra a obra começará no dia 15, e unirá as cidades de Trinidad, capital do departamento de Beni (norte), com La Paz, onde fica a sede do governo nacional. A mobilização foi decidida após o fracasso do diálogo entre a Confederação Indígena do Oriente Boliviano e as autoridades encarregadas do projeto, que envolve uma vasta zona entre Beni e o central departamento de Cochabamba, rica em biodiversidade e que registra crescente expansão de cultivos de coca.
O protesto objetiva proteger 13 mil habitantes da área, membros dos grupos étnicos yuracarés, trinitários e chimanes, disse à IPS o dirigente Adolfo Moye, da subcentral do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), aberto opositor à estrada de 306 quilômetros que irá de Villa Tunari, em Cochabamba, a San Ignacio de Moxos, em Beni. Em setembro de 1990, uma marcha de indígenas das florestas e planícies bolivianas chegou a La Paz após um mês de caminhada, e conquistou o reconhecimento de quatro territórios ameaçados na época por empresas de exploração de madeira e outros recursos naturais.
A experiência se repetirá agora para exigir o respeito desse reconhecimento como território indígena, que foi confirmado com o decreto supremo 22610 de setembro de 1990, e amplamente apoiado na nova Constituição impulsionada pelo próprio Evo Morales, primeiro presidente de origem indígena da Bolívia. O texto constitucional proclama o respeito pela autonomia, cultura, terra e formas de governo tradicionais dos povos originários. (Fonte: envolverde.com.br.noticias-indígenas-em-pé-de-guerra-para-defender-território)
Na mesma rede foi informado que os Povos Indígenas buscam alternativas para crise Ambiental. Essa discussão se dará na primeira conferência dos povos da floresta, onde lideranças indígenas de nove países amazônicos debaterão temas globais no período de 15 a 18 de agosto em Manaus, Amazonas, Brasil.
Nesse encontro centenas de lideranças do Brasil, Bolívia Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname, se reúnem em Manaus, Amazonas, Brasil, no “Grande Encontro dos Povos – Saberes, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta”irão discutir, entre outras questões,o posicionamento político dos indígenas da Amazônia Internacional ou Pan-Amazônia frente às grandes questões mundiais como as mudanças climáticas, REDD, o mercado de carbono, as relações com as instituições financeiras multilaterais, e a repartição de benefícios sobre recursos genéticos e saberes tradicionais, dentre outras questões.
É Isso aí parentes! Para ser indígena tem que se garantir! E é o que tem feito os Povos Indígenas nesses mais de 500 anos...

Pisa ligeiro...Pisa ligeiro quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro!!!!! (TORÉ de povos indígenas do Nordeste que tem se tornado um canto presente nas manifestações indígenas do Brasil, inclusive aqui na Amazônia contra as hidrelétricas)


sábado, 30 de julho de 2011

experimentando o rapé Kaxararí





Estive no mês de Junho na aldeia Pedreira, uma das quatro aldeias existentes no Território do Povo Kaxararí para fazer a consulta sobre a implantação do Ensino Médio. A discussão foi importante, nela a comunidade expressou seus sonhos de futuro para seu povo. No final eu não poderia deixar de experimentar o famoso rapé Kaxararí o bom mesmo é quando é cheirado no aplicador. Muita gente que experimenta pela primeira vez o rapé dos Kaxararí não consegue se manter em pé... eu fiquei só um pouco zonza... mas aguentei.... Realmente esse rapé faz a gente retornar para a aldeia antiga...re.re..ree. Essa foi uma das últimas atividades que realizei antes de sair da educação escolar indígena a nível institucional, mas a parceria vai continuar....

Núcleo de Cultura Política do Amazonas - NCPAM: DEPOIMENTO CONTRA AS BARRAGENS DO RIO MADEIRA

Núcleo de Cultura Política do Amazonas - NCPAM: DEPOIMENTO CONTRA AS BARRAGENS DO RIO MADEIRA: "Marcia Nunes Maciel (*) A população ribeirinha, indígena, rural e urbana do município de Porto Velho – capital do estado de Rondônia -, d..."

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Metade lá... Metade cá... Metade em todo lugar...

Titulo inspirado na música Ibirapuera do Bado.


No dia 07 de Julho no final do dia embarcamos no porto do madeira e seguimos para o festejo de São Pedro em Nazaré e como no ano de 2009 encontramos o Dutika e foi uma festa!


Chegando em Nazaré as 1:00hrs da madruga ... (no barco encontrei primas e primos esse aí é meu primo Julião e sua família).
Fazer pesquisa de campo junto com os filhos tem dessas coisas..re..rer... (foi divertido!)

Meu primo Timaia que passou a assumir os festejos depois da morte do meu tio...

Hana e Cris que foram com a gente!

Tanan fotografado por Lucas na beira da boca do furo!

Lucas fotografado por Tanan na beirada da passarela que interliga a comunidade

Esse é o mastro onde fica o estandarte do padroeiro e as oferendas para uma colheita farta no próximo ano...

A dança do seringador apresentada no dia 09 de Julho..reinventando tradições e fortalecendo história e identidade de uma comunidade...


Eu... no meio de tudo isso sendo reinventada...







Duas semanas depois no dia 16 de Julho na Vila Madalena com Vanessa e Leandro numa roda de samba!

Na Paulista me deparo com uma passeata contra o código Florestal e as barragens no Alto Xingu

Na abertura do encontro da ANPUH com o Edinaldo - São Paulo

Eu e Marcela no intervalo do simpósio temático: Subjetividades: Construções de Narrativas em História (Coordenado por Fabíola e Suzana)

50 ANOS DE ANPUH e meu primeiro ano de participação...afes...

Apresentando o meu artigo: Lugar - Uma representação Possível no Simpósio Temático - Só quis mostrar que é possível situar um lugar e a história desse lugar sem necessariamente utilizar um mapa e fazer aquela velha constextualização Histórica... Apresentei a eles a música do seringador que atualiza a imagem do lugar Uruapiara de onde partiram as colaboradoras de minha pesquisa... Mas eu acho que ficou muito subjetivo e nem todo mundo conseguiu construir a imagem, nem construir uma imaginação do lugar por meio da narrativa contada e cantada... Mas enfim... Eu também poderia ter discutido o conceito de representação, de imaginação, de memória, de narrativa, feito várias relações conceituais e tal e tal, mas não fiz essa escolha...  O importante que quem está aberto para as várias possibilidades de interpretação viu alguma importância.... E o pior de tudo eu fiquei nervosa!  É isso aí vamos em frente!!!

Reencontro com essas grandes oralistas: Suzana, Fabíola e Andreia

Nosso reencontro... As duas Vanessas e eu... reforçando laços

Lembrando das experiências de CRUSP... Agora não... somos todas comportadas vejam... com pose de intelectuais. Tá pensando o que??!!!



Olha a Juju apareceu... que legal!


Fabíola, Vanessa, Aly e eu... rápido e especial encontro antes da partida... (obrigada Fá por tê-lo proporcionado)

... Chegando em casa ... Encontro com os amigos de cá

Olha nossa foto típica de quem fez o curso de História a 18 anos... kkkk
Não todos... Só o Iremar, Joeser e Cris, eu fiz a 16 anos kkkk (nossa!) e Deyvesson, Ariana e Xênia vieram depois, (aqui são representantes de 04 gerações), mas o importante que tivemos um espaço em comum o Centro de Hermenêutica... Vieram me dar um abraço e dizer que estavam felizes por mim... que lindo!!!! Lembramos das ausências presentes: Ednéia, Alberto, Neide e Fabíola... O Manu também interagiu com esse grupo e fez falta....

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Aprendendo na escola Kyowã

Numa das atividades de construção pedagógica junto com professores indígenas, não indígenas e os estudantes Karitiana, tive a oportunidade de ter uma aula de história da chegada da língua portuguesa na Terra Indígena Karitiana. A ideia era fazer uma contextualização histórica do surgimento da escrita e nesse contexto falar de onde vem a língua portuguesa e como ela chegou até os Povos Indígenas. Tudo isso foi feito, eu expliquei tudo direitinho como uma boa professora de história e depois de ter feito todas as contextualizações eu perguntei para turma como foi que a língua portuguesa chegou até eles. Aí a aula começou e não foi eu que dei essa aula não, foi um aluno do primeiro ano do ensino médio da escola Kyowã. Ele já foi professor de cultura masculina do Ensino Fundamental e agora é candidato novamente para a função. Eu fiquei muito contente de poder vivenciar essa experiência de construção do conhecimento de forma coletiva. Depois de ter ouvido a narrativa do aluno eu solicitei a ele que escrevesse a narrativa. Ele escreveu e me entregou no outro dia, hoje eu a digitei para incluí-la no material que estou elaborando com produções de mapas temáticos e histórias dos espaços do território indígena Karitiana produzido pelos alunos. Divulgo esse texto para mostrar para algumas pessoas que não acreditam que os próprios indígenas são capazes de produzirem seus materiais didáticos ou mesmo assumir turmas no ensino médio, mas para além disso, porque por meio desse texto é possível perceber uma história do contato e da educação escolar com o Povo Indígena Karitiana que se deu primeiro por seringueiros, os padres salesianos, SPI até chegar a FUNAI e depois a SEDUC. Leiam com atenção! pois poderão aprender muito assim como eu. Como um dos objetivos da atividade desenvolvida em conjunto com o professor Carlos de português era ele apresentar depois da contextualização histórica as diferentes formas de documento que já são ulitilizados pelas comunidades indígenas tornando a escirta portuguesa um instrumento de luta, o aluno escreveu o relato da sua narrativa e apresentou em forma de relatório, pois o grupo dele ficou responsável de fazer um relatório enquanto outros elaboraram atas e oficios.

TEXTO

Relatório da aula sobre a história da Escrita
Por Antônio José Karitiana

A aula sobre a História da Escrita e o contato do homem branco com o indígena Karitiana foi ministrada pelo professor Carlos e pela professora Márcia.
No dia 26 de maio de 2011 aconteceu uma pequena reunião com os alunos no pátio da escola. Durante a aula os professores quiseram saber como foi o contato com o não indígena. Foi quando eu contei um pouco da história de como nós Karitiana ouvimos pela primeira vez alguém falar em português.  Então contei que o primeiro contato dos Karitiana como os nãos indígenas foi através do seringueiro.
Assim que apareceu o primeiro homem branco nós falamos com ele na nossa linguagem, mas os Karitiana não entendia nada do que ele falava e do que ele queria. Já que o indígena não entendia nada do que aquela pessoa falava ele apontava o dedo para o chumbo e o homem branco dava sal, depois nós resolvemos fugir para outro lugar. Nunca mais esse homem branco voltou. Passamos tempo nesse local e depois apareceu outro branco, dessa vez era um padre. Ele veio subindo o rio, nessa época o colonizador procurava pedras preciosas.
O pescador indígena foi quem encontrou a pessoa subindo o rio acima e voltou para contar para seu povo. Assim, todos ficaram sabendo que ia chegar o homem branco e ficamos aguardando. Com dois dias ele e outros que estavam com ele chegaram ao local onde os indígenas estavam. Assim, eles se apresentaram para o Povo Karitiana. Eles davam comida e vestuário. O Povo Karitiana não vestia roupa igual a do branco, e ,por isso, o padre distribuiu as roupas e nós começamos a usar essas roupas.
O padre passou uns dias na nossa aldeia e depois continuou a viagem com o pessoal que estava com ele. Eles continuaram a subir o rio e depois de três dias retornaram para a aldeia. Depois o padre resolveu ir embora. Foram quatro indígenas com ele até o varador que chegava na BR 364 que na época era de chão. Depois que chegaram lá os quatro indígenas retornaram para a aldeia.
Assim, quando o padre chegou na cidade foi diretamente procurar a autoridade que tinha interesse em cuidar dos indígenas. Assim, surgiu o SPI – Serviço de Proteção ao Índio que depois de um longo tempo se tornou FUNAI. Aí o SPI mandou seu funcionário trabalhar com os indígenas, foi quando chegou o Francisco para chefiar a aldeia, mas o Povo Karitiana não gostou do trabalho que ele fazia porque ele aprontava muito com as mulheres indígenas.
Os jovens da nossa aldeia que sabia falar com as autoridades resolveram ir para a cidade conversar com o coronel e a federal, assim, eles conseguiram fazer um documento e o Francisco, chamado por nós de Chico burro porque ele era malvado, saiu do trabalho de chefia na nossa aldeia. Então esses dois rapazes ficaram alegres, o nome deles era Antônio Garcia Karitiana e o Cizino Karitiana Danto Moraes .
Depois disso, apareceram dois trabalhadores não indígenas na aldeia, um era o Amauri e o outro era Fernando Cardoso. Fernando trabalhava de dar aula para os jovens indígenas. Assim, nós aprendemos a conhecer e falar a língua portuguesa. O outro trabalhador, o Amauri chefiava a aldeia e se apaixonou por uma índia e se matou com um revolver.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Fumaça... Fumaça.... Fumaça....

Todo ano é assim, nessa época na Amazônia, fumaça, fumaça, fumaça... Vivi essa fase em Manaus em 2009 e a na madrugada olhava pela janela e via o ceu escuro de tanta fumaça, a imagem era de fim de mundo... Chega me dava medo.... Aqui em Porto Velho não é diferente quando não estou fora sofro muito nessa época, fico indignada porque tem campanha nos meios de comunicação para evitar queimadas acidentais, e para não fazer queimadas ilegais, mas não adianta todo ano é a mesma coisa. O imaginário do queimar é muito forte. As pessoas juntam umas folhinhas secas em seus quintais e tocam fogo, juntam um lixo em frente das casas e queimam, tudo... qualquer coisa queimam, fora as queimadas grandes as propositais  e as acidentais, chego a ficar desesperada quando vou esse período para a área ruaral você segue na estrada e dos lados tudo em chamas ou tudo cinza... É uma imagem muito triste. Esse ano já começou a temporada da Fumaça.... Agora mesmo estava eu aqui na frente do computador do lado da janela na sala da minha casa e tive que simplesmente fechar a janela porque a fumaça está muito forte, eu  senti o cheiro da fumaça, meu olho começou a arder e comecei a tossir... Que inferno!... Estão acabando com tudo mesmo!....